Noticiário da FAEAL/SENAR - 12/01/2003 a 18/01/2003


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PREÇO DO LEITE

Transcrevemos, abaixo, resumo da entrevista concedida por Ricardo Barbosa, presidente da Cooperativa de Produção de Leite de Alagoas, ao Canal Rural:

O setor leiteiro de Alagoas emprega direta e indiretamente cerca de 200 mil pessoas. Há cerca de 3 mil produtores e o rebanho gira em torno de 100 mil cabeças, produzindo 300 mil litros de leite/dia, de alta qualidade, contribuindo significativamente com a permanência do homem no campo, além de ser importante elemento no suprimento da saúde da população. No entanto, a cartelização praticada pelas indústrias que adquirem o produto ignora e desconhece a importância desses fatores. Para ressaltar, vejamos algumas citações: 1) Nos últimos 6 meses, as indústrias de laticínios aumentaram seus produtos para os supermercados e estes para o consumidor numa média de 60%. Para o produtor, o aumento foi de apenas 10%. 2) A produção de leite no Estado está com uma redução de 50%, provocada pela política de preço praticado pelas indústrias; seca, dolarização dos insumos, o que eleva o custo da produção e, em conseqüência, o produtor é obrigado a vender parte do rebanho e cortar, praticamente, o concentrado da alimentação. Portanto, com a diminuição da oferta, os preços deveriam subir e não, baixar. 3) Do início de dezembro até a presente data, a indústria baixou em 17% o preço do leite para o produtor, enquanto que o consumidor continuou a ter que pagar sempre mais para adquirir os produtos lácteos. 4) A importação do “soro” proveniente do Canadá (largamente subsidiado) continua a crescer, concorrendo com um produto nobre que gera emprego (evitando o êxodo rural), renda para os municípios, impostos, nutre a população em proteína e energia, enquanto o soro é resíduo do leite (sem proteínas e energia necessária para a saúde) que, depois de maquiado, é comercializado como se fosse produto bom, gerando, ainda, a evasão de divisas, de emprego no(s) país(es) de origem, e desemprego no Brasil. Os laticínios do Sudeste estão pagando ao produtor de leite, 20% mais do que em nosso Estado. Mesmo assim, transportam para o nosso mercado e ainda tem condições competitivas, onde se detecta a margem excessiva de lucro das indústrias de leite do Estado. O comparativo do produtor de leite do Sudeste com o nosso, é que mostra a nossa fragilidade, pois, além de recebermos um preço muito menor, ainda temos um custo de produção bem mais elevado, devido o nosso concentrado (soja, milho, etc.), que vem da região Sudeste e adjacências, que nos acarreta um acréscimo de 25%, já que a participação do concentrado no custo total da produção é de 45%. Esta é a situação do leite em Alagoas, em que o produtor paga para produzir (o custo de produção do litro de leite é de R$ 0,55 e recebe R$ 0,40), sendo escravo da indústria fria e insensível à sua sobrevivência. Como a quase totalidade dos produtores não tem outra alternativa, ficam à mercê de seus algozes. O esfacelamento do setor leiteiro estadual já deixou de ser um problema econômico, passando a ser um caso de polícia. Não é à toa que em 7 (sete) Estados já foram criadas CPI do Leite, onde os problemas são bem menores, uma vez que o cartel é menos organizado, devido o número maior de indústrias receptoras. A solução para modificar este panorama seria o atrelamento do preço do leite ao produto final pago pelo consumidor, em percentuais; os programas sociais dos governos federal, estadual e municipal, uma maior fiscalização do Ministério da Agricultura nas respectivas indústrias e, finalmente, abrir a CPI do Leite em nosso Estado.

CURSOS – CONVÊNIO SENAR/SERT/AL - Período: 16 a 24/01/2003

Arte Culinária
, em Anadia; Artesanato (Sandálias e Bolsas), em S. Sebastião; Agricultura Orgânica, em Campo Alegre; Cultivo de Flores, em Pilar e, Bordado com Fitas, em Piaçabuçu.

CONVÊNIO SENAR/SEBRAE - Período: 20 a 24/01/2003

Agricultura Orgânica, em Água Branca, Joaquim Gomes, S. Luiz do Quitunde e S. Sebastião; Industrialização de Doces, em Palmeira dos Índios; Apicultura, em Palestina e Barra de S. Miguel; Cultura da Mandioca, em Joaquim Gomes, Maragogi, Piaçabuçu e S. José da Tapera; Artesanato em Fibra e Folha de Bananeira, em Coité do Noia; Fruticultura, em Feliz Deserto (2 turmas), Maragogi e Atalaia; Bovinocultura de Leite, em Igaci; Processamento de Polpa de Frutas, em Barra de S. Miguel e Junqueiro; Processamento da Mandioca, em Coité do Noia e Joaquim Gomes; Horticultura Básica, Olivença e Laticínios, em Palmeira dos Índios.

INDICATIVO DE PREÇOS (semana de 12/01/2003 a 18/01/2003)

DESCRIÇÃO
UN.
PREÇO (R$)
DESCRIÇÃO UN. PREÇO (R$)
BOI GORDO Arroba DE 60,00 a 62,00 MILHO (60 kg) SC DE 28,00 a 30,00
VACA PARA ABATE Arroba DE 56,00 a 57,00 MANDIOCA Ton. DE 180,00 a 200,00
PORCO Arroba DE 50,00 a 52,00 ALGODÃO CAROÇO (30kg) SC DE 9,00 a 10,00
OVINO Quilo DE 4,50 a 4,60      
FRANGO VIVO Quilo DE 2,55 a 2,60 ALGODÃO
FARELO  (50kg)
SC DE 14, 00 a 15,00
LEITE Litro  0,40 (preço básico) apartir de 01 de janeiro de 2003  COCO Um Kg

0,50 a 0,60
0,70 a 0,87

OVO TIPO EXTRA Caixa 49,00 SOJA (50 kg) SC 50,00 a 52,00
CANA-DE-AÇÚCAR - PREÇO LÍQUIDO FINAL DE 1 KG DE ATR (DEZEMBRO/2002) EM R$: R$ 0,2994

Fontes de informação - Associação dos Criadores de Alagoas, Sindicato do Leite de Alagoas, Agronal, Prococo, Sococo, Granja Carnaúba e Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool/AL.

Matéria publicada no Jornal Gazeta de Alagoas, edição de 19 de janeiro de 2002